Em 2004. O futebol feminino parecia uma cidade fantasma.
A Women’s United Soccer Association já havia falido. Nenhuma liga profissional. Nada até o futebol profissional feminino sair mancando em 2009. Mesmo assim. A NWSL não criou raízes até 2012.
Mia Hamm estava deixando tudo para trás. Um ano perfeito para sua equipe. O USWNT varreu todos os torneios. Ouro em Atenas. Ela tinha apenas quinze anos quando começou. Agora? Duas vezes olímpico. Vencedor da Copa do Mundo. 276 cápsulas. 158 gols.
Currículo brilhante.
A realidade era mais sombria. A dor não era algo que você tratava. Foi algo que você ignorou.
“Acho que há muito tempo nos pedem para dar força”, diz Hamm. Reconhecendo isso? Fraco. Ou assim pensaram os treinadores. Basta entrar no banho de gelo. Vá em frente.
A maioria dessas meninas ainda estava no seguro da mãe e do pai. Ou nenhum seguro. A recuperação era um luxo que poucos podiam pagar. Falar sobre uma lesão? Você arriscou não entrar na lista do acampamento. A seleção nacional era seu único contracheque. Sua única vida. Então eles jogaram machucados.
As coisas mudaram.
A NWSL tem agora 16 equipes. Os contratos estão quebrando recordes. Na verdade, as instalações são construídas para humanos. Em março passado, eles lançaram o Conselho Consultivo de Saúde. Especialistas médicos. Atletas. Conversa real sobre cuidado.
“Garantir que eles reconheçam a dor… e tratá-la.”
Não se trata mais apenas de vencer. É uma questão de sobrevivência.
Hamm está se unindo ao Tylenol. E a estrela da NWSL Emma Sears. A campanha se chama PainTalk. Objetivo simples. Pare de se esconder. Comece a falar.
Tylenol é o analgésico oficial da liga. Eles estão investindo um milhão de dólares nisso. Parte disso vai para a Fundação Esportiva Feminina. Especificamente para uma nova concessão.
Doze atletas receberão R$ 10,00 cada. Não por troféus. Para médicos. Para terapia. Para equipamentos que ajudam você a se curar.
Hamm observa que o lado mental também é importante. Antigamente, seu único sistema de apoio eram seus companheiros de equipe. Somente durante o acampamento. O resto do tempo? Você estava sozinho. Isso cria estresse. Estresse enorme e tácito.
Percorremos um longo caminho? Claro.
Está consertado? Não.
“Temos a tendência de colocar as necessidades de todos à frente das nossas.”
A mudança cultural nos esportes femininos é maior do que o campo. É sobre todas as mulheres em todos os lugares. Não apenas profissionais em chuteiras.
Esta campanha é para você. Também. Diz que você é importante. Ele pergunta o que você está sentindo.
E exige que ouçamos.
